A Semana do Desligue a TV 2008 foi marcada por uma animada Assembléia, onde crianças e adolescentes puderam discutir os benefícios e malefícios causado pela TV na vida dos brasileiros. O evento fez parte da programação da Virada Cultural promovida pelo Projeto Educando na periferia do Instituto Alana. ![]() Criança feliz, feliz a pensar a TV Brincar de casinha, de cabra-cega, de rouba bandeira, ouvir música, ir à biblioteca, dormir, ler, passear no parque, rodar pião, empinar pipa, jogar bola, queimada, bolinha de gude, banco imobiliário, vôlei, taco, fazer a lição de casa, pular corda, estudar, ir ao cinema, visitar uma exposição, dançar, viajar, lutar capoeira, ufa! Este é só o comecinho da lista gigante de atividades a se fazer fora da televisão surgidas na Assembléia do Desligue a TV durante a Virada Cultural realizada pelo projeto Educando na periferia no dia 24 de abril.Foi uma surpresa e tanta ver aquela Assembléia lotada de crianças com tanta determinação de participar. No início, quando foram convidados a colocar tanto as felicitações à TV (pontos positivos) como as críticas, a impressão foi a de que não chegaríamos a estas respostas aí em cima. Haviam mais felicitações. Entre elas, a TV figurava como positiva por informar o que se passa no mundo; por distrair tanto as crianças como a família; por transmitir conhecimento; por ensinar coisas; por mostrar novidades e ofertas das lojas e supermercados; por prevenir o que esta acontecendo nas ruas antes de sairmos de casa entre outras funções úteis. No entanto, à medida que íamos comentando os aspectos de cada um dos lados, a TV ia perdendo a audiência. Em poucos minutos, a Assembléia dava de dez no Congresso, com todo mundo interessado de verdade em discutir e modificar a situação de dependência das pessoas em relação à TV. Embora deduzissem que as crianças brasileiras passam muito tempo por dia vendo TV, não sabiam que esse tempo é de quase cinco horas em média. “Ô lôco!”, foi a exclamação campeã. Não sabiam direito também porque a TV passa tantos comerciais sem parar. Quando entenderam que o que determina o tipo de programa a ser transmitido é o assunto que pode causar mais impacto para gerar audiência e atrair mais anunciantes e o dinheirão que isso rende, foram pegando o espírito (mau) da coisa. ![]() A partir daí, começaram a perceber que não é bem verdade que a TV informa o que se passa realmente no mundo mas apenas o que pode dar mais audiência. Crimes brutais; abalos sísmicos e fofocas sobre celebridades são os temas preferidos. Sobre a preservação do planeta, o que mais ganha destaque são as imagens chocantes como tsunamis, geleiras derretendo e outros desastres ecológicos. E entenderam logo também que existem coisas que quase não se vê na TV como a poluição das águas pelas indústrias irresponsáveis; a emissão de gases poluentes; os problemas com o consumismo de tantos produtos descartáveis e a luta de milhões de pessoas pelo direito à vida e à cidadania. E quem imaginar que a moçadinha estava séria e preocupada, se esqueceu do poder da esperança. Longe disso, estavam rindo, se cutucando, um querendo dar mais idéias que o outro e, sobretudo, acreditando que valia à pena toda aquela troca de idéias. Foi neste ponto que nosso coração apertou por ver quanta confiança eles tinham nos resultados daquele debate. A divulgação deste evento aqui no site e o apoio à Semana do Desligue a TV são só uma pontinha do quanto devemos fazer para não deixar que a determinação de aprender e mudar daquela garotada feliz caia no desencanto. Se você é professor, ajude seus alunos a pensar a TV como ocorreu na Assembléia. Se você é criança, conte para seus amigos sobre o que leu aqui (e parabéns por ter lido tudo). E se você é um adulto que ainda guarda dentro de si aquele espírito ousado da infância, ajude a conscientizar os que estão a seu lado sobre os problemas do excesso de televisão na vida de cada um e do nosso país inteiro. Pegue a lista de alternativas dadas pelas crianças lá no primeiro parágrafo, complete com outras que você crie e comece a colocá-las em prática junto com a família. E, a partir daí, pegue o controle remoto da TV como quem diz para ela: “Agora, sou eu quem controla você, e se quiser minha audiência, vai ter que melhorar a programação e, por meio dela, deixar que as crianças cresçam e apareçam mais que você”. |
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