Ética na internet é matéria obrigatória em salas de aula - veja mais

Engajadas em formar cidadãos conscientes, escolas pregam uso responsável

Segunda-feira, 02 de abril de 2007

AJOCELYN AURICCHIO e FILIPE SERRANO

Uma preocupação constante entre os educadores e pais antenados de hoje é o estímulo ao uso honesto, responsável e cidadão da tecnologia.

Como a internet oferece de tudo, inclusive a possibilidade do anonimato e possível impunidade, existe a tentação de se aproveitar desse 'manto de invisibilidade' e fazer coisas que não são exatamente honestas ou legalmente aceitáveis.

Uma prática comum nas escolas que liberam a pesquisa na internet no horário de aula é utilizar filtros de conteúdo para que os alunos se concentrem efetivamente nas atividades propostas em sala (leia mais abaixo). Os professores podem, inclusive, pré-selecionar os sites de interesse e deixar os alunos mais livres para a pesquisa, mas de forma segura.

Porém, mesmo assim, os professores fazem questão de deixar bem claro que o intuito da pesquisa é fornecer conhecimentos para que o aluno consiga, por si só, com suas próprias palavras, desenvolver o raciocínio pedido.

'É importantíssimo ensinar o uso responsável da web. É muito tentador copiar e colar um texto da internet e entregá-lo ao professor, como se o aluno o tivesse escrito', diz Regina Simões, do Colégio Santa Maria. 'É vital que ajudemos o aluno a entender o conceito de propriedade intelectual, do valor do conhecimento,' completa.

No Colégio Santo Américo, que libera acesso Wi-Fi para todos os alunos, existe um rígido controle de acesso, para evitar abusos.

'Para usar a web, a gente precisa usar uma senha do colégio. Assim ninguém fica acessando besteira', diz Rodrigo Simões, 14, que está no 8º ano. 'É meio chato, mas é a regra', conta Rodrigo, que usa seu notebook no horário do intervalo para assistir vídeos do YouTube com os colegas.

Outra questão que é abordada nas aulas de ética no uso da internet é o bullying - violência física ou moral entre alunos.

Infelizmente, a difamação e o assédio moral são realidade em muitas escolas, e o meio digital é um incentivo a quem é mal-intencionado.

Perfis falsos de Orkut, blogs cruéis e boatos espalhados pelo MSN podem ter efeitos devastadores na vida de quem é escolhido como alvo.

Além de antiética, tal prática pode ser criminosa. Apesar de ainda não existirem leis específicas para lidar com essas transgressões digitais, é questão de tempo para que tais atos sejam puníveis.

'Não podemos esperar o aluno chegar à idade adulta para se dar conta disso. É papel da escola ajudar os pais nessa tarefa', afirma William Ribeiro, professor e coordenador de informática educacional do Colégio São Luís. 'O anonimato da internet permite que as pessoas ajam de forma criminosa, praticamente sem conseqüências. Nosso dever é ensinar valores morais positivos para evitar isso', completa.

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