Google aposta no Brasil para diversificar receita

Presidente mundial do Google, Eric Schmidt, diz que o Brasil é prioridade na busca de novas fontes de receita, hoje concentradas nos Estados Unidos

Sexta-feira, 13de abril de 2007

Renato Cruz

Eric Schmidt, presidente mundial do Google, disse ontem que resolveu visitar São Paulo uma semana depois de Orkut Buyukkokten, gerente do Google que criou o site que leva o seu nome, porque o engenheiro de software é uma celebridade e seria difícil competir pelas atenções. A brincadeira faz parte da imagem descontraída que a gigante da internet procura passar ao mundo, evitando ocupar o espaço que era da Microsoft como o gorila de 350 quilos a ser temido. 'Não somos perfeitos', admitiu. 'Mas, quando cometemos erros, procuramos corrigi-los rapidamente.'

Com fortuna pessoal de US$ 4,8 bilhões, segundo a revista Forbes, Schmidt
visita o Brasil pela primeira vez. Depois de São Paulo, irá para Belo
Horizonte, onde o Google tem um centro de pesquisa e desenvolvimento. 'O
Brasil é o mercado que mais cresce para o Google', afirmou o presidente da
empresa. 'Nossa equipe de funcionários aqui deve crescer mais rápido que a
empresa.' A subsidiária brasileira do Google tem cerca de 100 funcionários.

O entusiasmo que o Google mostra pelo Brasil faz parte da estratégia da empresa para diversificar suas fontes de receita, ainda muito concentrada no mercado publicitário americano. No ano passado, a empresa faturou US$ 10,6 bilhões. 'Entre 97% e 98% da receita veio de publicidade', apontou Schmidt. 'A receita fora dos Estados Unidos está entre 43% e 44% do total. Esperamos que, em breve, mais da metade venha do exterior.' Apesar de a maioria da receita publicitária vir da rede, o Google já tem experiências com venda de anúncios para outros meios, como o rádio, a televisão e o impresso. 'Ainda estamos aprendendo como funciona, mas planejamos trazer para o Brasil', disse o executivo.

Com a digitalização, a internet se torna plataforma de distribuição de todo o tipo de conteúdo, o que transforma o Google em concorrente de outros meios de comunicação. Como fica o relacionamento com os meios antigos? 'Antes de
tudo, não os chamamos de meios antigos', destacou Schmidt. 'Existe um espaço grande para parcerias'. A empresa de internet havia sido processada pela Agência France Presse, com quem fechou um acordo, e enfrenta a Viacom, dona da MTV, nos tribunais.

Ao ser perguntado se a venda de conteúdo, como música e vídeos, seria uma alternativa para diversificar as fontes de receita, Schmidt disse que o Google não planeja investir na produção de conteúdo. 'Nós podemos funcionar como um intermediário, pondo o produtor em contato com o usuário final.'Um mercado promissor são os celulares. Existem 2,7 bilhões de telefones móveis no mundo, comparados a cerca de 1 bilhão de internautas. E o celular do Google, confirmado por alguns executivos da empresa? 'Viu que outros executivos negaram? Não temos nada para anunciar.'

http://www.estado.com.br/editorias/2007/04/11/eco-.93.4.20070411.38.1.xml?

Voltar