Aposentada troca comida pelo
uso compulsivo da web
Quinta-feira, 17 de maio de 2007.
Entre os casos atendidos no HC está o de jovem que
leva vida dupla até no mundo virtual do Second Life
Leia mais e teste
se você é viciado em internet no endereço
Mais informações no
site
Casada
e mãe de dois filhos, a aposentada S.G.S. (ela prefere não
se identificar), de 54 anos, estava entre os 15 voluntários do
primeiro grupo do projeto de Dependentes de Internet do Ambulatório
Integrado dos Transtornos dos Impulsos do Hospital das Clínicas.
Ela percebeu que estava com problemas quando o marido, um açougueiro
cinqüentão acostumado a sair cedo para trabalhar, passou a
reclamar do tempo que a mulher ficava na internet. “Ele me chamava
para dormir e eu dizia que ia em seguida, mas ficava na rede toda a noite.”
Até
o filho , de 28 anos, manifestou-se. “Ele me deu o apelido de a
mais chata do Orkut (site de relacionamentos).” Sim, ela está
no Orkut em mil comunidades. “Quase enlouqueci para dar conta de
todos os e-mails.”
Não
satisfeita com os 500 e-mails que recebia por dia, ela passou a usar a
internet para ajudar os vizinhos, no Tatuapé, zona leste, e enviava
currículos e pesquisava informações. “Não
conseguia mais ficar longe da rede. Quando viajava para a casa da praia,
ficava depressiva. Lá não tem computador.”Antes de
se viciar na internet, a aposentada tinha compulsão por comida.
“Era muito gorda. Mas fiz operação de estômago
e então troquei o vício da comida pela internet”,
conclui ela.
Entre
os pacientes do ambulatório, há casos ainda mais complexos.
Solitária e depressiva, uma jovem de 23 anos, criou uma vida paralela
no Second Life, um jogo que projeta o mundo em 3D, cujos participantes
têm objetivos práticos, como ganhar dinheiro. No mundo virtual,
ela arrumou emprego de secretária em uma construtora. E trabalhava,
de fato, quatro horas por dia. Acabado o expediente, continuava no Second
Life. Mas como garota de programa, no mundo virtual, ela projetou-se com
a aparência sonhada, ou seja, com muitos quilos a menos do que na
vida real. Ainda descobriu que com os trabalhos virtuais conseguia ter
dinheiro para ascender socialmente - no Second Life. “No mundo virtual
consigo ser aceita como gostaria de ser de verdade”, costumava dizer
ela, que, depois da terapia, largou o mundo virtual.
http://txt.estado.com.br/editorias/2007/05/17/cid-1.93.3.20070517.23.1.xml?
|