Sobre transparência e
privacidade Tom Grubisich Atualmente, queremos transparência em todas as instituições, mesmo nas privadas. Existe uma grande exceção - a internet. Ela é, nos dizem, uma gigantesca tribuna popular. De fato, existem milhões de pessoas expressando sua opinião em milhões de fóruns online. Mas a maioria delas usa o equivalente a sacos de papel na cabeça. Nós as conhecemos apenas pelos seus nomes de usuário da internet: gotalife (tenha uma vida), runningwithscissors (correndo com tesouras), stoptheplanet (pare o planeta) e uma miríade de outros nomes criativos. Imagine que você vai participar de uma reunião sobre a superpopulação da escola da sua comunidade na qual todos estão usando crachás. Você se aproxima de um grupo de pessoas em que um homem está reclamando em altos brados sobre o desperdício nos gastos das escolas. 'Livrem-se dos burocratas e então teremos dinheiro para ampliar a escola', diz ele, brandindo as mãos na direção das pessoas que o cercam. Você olha o crachá dele e lê anticrat424. Então, o interrompe para perguntar: 'Desculpe-me, quem é você'? Ele lhe lança um olhar desconfiado. 'Anotando nomes, hein? Vai incitar a polícia do superintendente contra mim? Hah!' Em qualquer comunidade dos Estados Unidos, se o senhor anticrat424 se recusar a se identificar, será ignorado e isolado do processo cívico de discussão de problemas. Mas, na internet, o senhor anticrat424 continuará em cima do pódio, onde terá seus pensamentos mais raivosos amplificados através do ciberespaço com a freqüência que quiser. Poderá xingar as pessoas com os impropérios mais infames e essa fomentação de ódio será vista no mundo inteiro. Talvez fosse conveniente para os sites na web impedir os fomentadores de ódio de terem tanto poder, porém muitos sites são facilitadores involuntários. EQUILÍBRIO No site, os editores e produtores dizem que lutam para atingir um ponto de equilíbrio entre transparência e privacidade. Até recentemente, as pessoas que postavam comentários no site do jornal podiam se identificar apenas com nomes anônimos. Agora, precisam criar uma conta de usuário, que aparece junto com seus comentários. Hal Straus, editor de interatividade e comunidades do washingtonpost.com, diz que as mudanças 'nos conduzem na direção da transparência'. Mas a mudança não faz muita diferença concreta porque os IDs de usuários do washingtonpost.com podem ser nomes verdadeiros ou fictícios. Embora o site proíba comentários injuriosos, abusivos, obscenos ou de alguma forma inadequados, o senhor anticrat424 poderá ainda encontrar um pódio bem amplificado no site washingtonpost.com. O site de notícias e opinião Huffingtonpost.com requer que os internautas se registrem com seu nome verdadeiro mas garante que 'nunca' usará esses nomes. Embora não seja infalível, há sempre maneiras de ao menos estabelecer padrões mínimos de aceitação mais altos. Gordon Joseloff, um ex-correspondente da CBS News que é dono da WestportNow.com, um popular site local em Westport, Connecticut, costumava empregar o permissivo processo de registro padrão. Mas, no final de 2005, aborrecido com a virulência de internautas anônimos, Joseloff instituiu uma diretriz determinando que qualquer pessoa que quisesse fazer comentários usasse seu nome verdadeiro. Joseloff também exige que as pessoas inscritas informem seus números de telefone. Os números não são postados no site, mas isso dá a ele e a sua equipe uma forma de verificação adicional contra registros falsos. PROTEGIDOS DE REPRESÁLIAS Compreensivelmente, as diretrizes e restrições variam nos sites grandes e pequenos, mas uma preocupação comum a todos eles são os delatores. O que fazer com alguém que quer expor uma injustiça ou um tratamento desigual, seja ele um funcionário público apontando conduta irregular no governo ou um garçom reclamando sobre a gorjeta ridícula de um restaurante local? Como eles podem ser protegidos de represálias? O pioneiro online Vin Crosbie sugere que os sites - sejam eles blogs pessoais, sites de comunidades ou grandes provedores de notícias - devem ser suficientemente flexíveis para conceder pseudônimos aos usuários que querem denunciar algo. Isso iria requerer que os sites tomassem decisões analisando caso a caso. Com que freqüência tal intervenção seria necessária? Não o suficiente para exigir que a maioria dos sites contratem pessoal extra. Um site que conceda um pseudônimo teria de saber o verdadeiro nome do usuário assim como alguns fatos que respaldem quaisquer acusações. O site não teria de ceder sempre que fosse 'premiado' com uma intimação para prestar declarações em juízo. Os tribunais já estabeleceram que tanto os internautas anônimos como os internautas com pseudônimo têm 'privilégio de confidencialidade' segundo a primeira emenda da Constituição norte-americana, que protege a identidade deles e impõe uma alta barreira jurídica diante daqueles que querem que os sites sejam intimados a prestar depoimentos. Se os sites na Web exigirem dos internautas que usem seu verdadeiro nome, dando-lhe o escudo de um pseudônimo quando for merecido, o animado debate online continuará acontecendo sem empecilhos. Poderá até melhorar, atraindo a contribuição de pessoas que perderam o interesse pela comunicação online por causa das ofensas e coisas piores que correm na internet. Com exceção dos fomentadores de ódio, quem mais iria querer isso? http://txt.estado.com.br/suplementos/info/2007/05/21/info-1.93.8.20070521.17.1.xml
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