Buscas no Google preocupa defensores
da privacidade
Sexta-feira, 25 de maio de 2007
Agência EFE
O objetivo anunciado pelo Google, o maior site de buscas do mundo, de
ajudar as pessoas a organizar suas vidas, uma espécie de 'Big Brother'
do bem, causa preocupação nos defensores da privacidade.
A empresa americana pretende criar a mais completa base de dados de informações
pessoais sobre seus usuários.
O objetivo, como explicou esta semana no Reino Unido o presidente do Google,
Eric Schmidt, é ajudar os usuários a decidir, por exemplo,
como usar seu tempo livre no dia seguinte ou qual trabalho escolher em
determinado momento da vida.
Fontes do Google no Reino Unido disseram que, por enquanto, não
há um projeto concreto, mas simplesmente uma proposta apresentada
em 1º de maio, denominada 'iGoogle'.
O produto é uma espécie de Google personalizado com acesso
ao histórico de buscas do usuário, ao e-mail do Gmail e
ao calendário.
O Google reconhece que o projeto está em fase adiantada no gerenciamento
da informação que a empresa conseguiu reunir sobre seus
usuários.
- Os algoritmos vão melhorar e com eles, a personalização
- disse Schmidt.
A intenção do Google foi anunciada ao mesmo tempo em que
foi divulgada a informação de que a empresa investiu cerca
de US$ 4 milhões em uma pequena firma de pesquisa genética
chamada 23andMe. Uma das fundadoras desta companhia, Anne Wojcicki, casou-se
no começo de maio com Sergey Brin, co-fundador do Google.
A combinação do perfil genético e do histórico
de internet de uma pessoa podem tornar-se uma importante ferramenta para
determinar o comportamento futuro de qualquer usuário da rede.
Este ano, o principal rival do Google, o Yahoo!, revelou seu próprio
projeto de tecnologia de busca, conhecido como Projeto Panamá,
que analisa os principais interesses dos visitantes em seu portal de internet
para elaborar, com eles, um perfil pessoal.
Os defensores da privacidade temem que o acúmulo de dados pessoais
na internet represente uma invasão crescente e clandestina das
liberdades civis.
A preocupação foi intensificada, segundo o jornal 'The Independent',
pela oferta de US$ 3,1 bilhões lançada pelo Google sobre
a companhia de publicidade na internet DoubleClick.
A companhia consegue elaborar a imagem do comportamento de uma pessoa,
combinando o histórico de busca na rede com informação
dos cookies, códigos que permitem conhecer os interesses dos usuários
segundo as páginas que visitam.
De acordo com o jornal, o organismo que representa as agências européias
de proteção de dados pessoais escreveu ao Google para solicitar
mais informação sobre sua prática de retenção
de dados.
Um porta-voz do organismo britânico de proteção de
dados não confirmou o conteúdo da carta e limitou-se a dizer
que se tratava de uma resposta ao anúncio feito pelo Google de
que não reterá informação pessoal dos usuários
por mais de dois anos.
Em várias análises e editoriais hoje, a imprensa britânica
demonstra preocupação com a quantidade de informação
que o Google já manipula graças a várias bases de
dados.
As informações abrangem desde os conteúdos dos e-mails
do Gmail até as buscas realizadas pelos usuários ou detalhes
dos cartões de crédito no sistema de pagamento pela internet
Google Checkout.
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