A educação na rede FRANCISCO ALVES FILHO E RODRIGO CARDOSO Lousas eletrônicas e recursos de realidade virtual já são usados com ótimos resultados nas escolas particulares e o ensino público também "caiu" na rede. Além disso, o Ministério da Educação (MEC) está investindo R$ 176 milhões para que a Universidade Aberta do Brasil crie até agosto 60 mil vagas para diversos cursos, todos online. Projeto lançado em 2005, a universidade é um sistema nacional de ensino, ligado a 55 instituições federais, para levar educação de nível superior aos pontos mais distantes do País. Seja para a criança ou o adulto, para o curso rápido ou
o mestrado de nível internacional, a tecnologia é apoio
decisivo. O ensino a distância pela rede, por exemplo, muitas vezes
representa a diferença entre aprender ou não. "Por
causa do trabalho, não teria condições de freqüentar
as aulas. O aprendizado online foi a saída", diz o administrador
de empresas carioca Thiago Freitas, 26 anos, que fez um módulo
do MBA de Gestão Empresarial na Fundação Getúlio
Vargas (FGV) pelo sistema semipresencial (parte pela internet). Para estudantes
de regiões remotas, os cursos online permitem o acesso a um ensino
de melhor qualidade. "A educação pela internet potencializa
a chance de termos um país mais igualitário", observa
Frederic Litto, presidente da Abed Engana-se quem acha esse tipo de ensino menos rigoroso. Os alunos são acompanhados o tempo todo por tutores e, além das provas, participam periodicamente de chats (bate-papo) nos quais discutem as matérias e também são avaliados. A prática já é rotina em prestigiadas instituições internacionais, como Harvard e Oxford. Mas no Brasil é fato recente. A expectativa é que mais gente tenha acesso a esse método. Em relação à Universidade Aberta do Brasil, o secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, acrescenta que o desafio não é apenas aumentar o número de alunos (informações sobre inscrições pelo site www.uab. mec.gov.br). "Nossa preocupação é multiplicar vagas sem perder a qualidade." A Associação Brasileira de Ensino a Distância calcula que 1,3 milhão de pessoas estudaram pela internet em 2006. O Ministério da Educação quer criar até agosto 60 mil vagas para cursos na rede Uma boa notícia é que não param de surgir novas
modalidades de ensino a distância. Neste mês, o Senac São
Paulo abre as portas de seus primeiros cursos oferecidos no Second Life,
a comunidade virtual em que os internautas desenvolvem vidas paralelas.
Abrir as portas, na verdade, não é a expressão mais
adequada. O espaço físico adotado pelo Senac não
tem paredes, muito menos portas - é como se fosse um ginásio
aberto. O Senac é a terceira instituição brasileira
de ensino a entrar no Second Life - já estão presentes as
universidades Anhembi-Morumbi e Mackenzie, ambas de São Paulo.
"Nós optamos por entrar com serviços e não com
a simples montagem de um espaço", diz Sidney Lattore, gerente
de tecnologia da informação do Senac- SP. Há três
cursos abertos aos interessados, um de photoshop (programa de edição
de imagens) e dois de criação de objetos virtuais. A idéia
é disponibilizar também cursos que são dados nas
dependências físicas do Senac, como moda e design. A educação a distância não é a única forma de a tecnologia aprimorar o ensino no Brasil. Há uma imensa variedade de softwares e outros recursos da informática que tornam as aulas mais interessantes e facilitam o acesso à pesquisa. Isso vale também para a rede pública. Um dos programas que procuram aproximar professores e alunos da internet é o Sua Escola a 2000 por hora, parceria da Microsoft com o Instituto Ayrton Senna que beneficia 40 escolas brasileiras, com investimento de R$ 6 milhões. A Escola Municipal Leonilda Montandon, em Araxá (MG), é uma das beneficiadas. Lá, os alunos pesquisam na internet e registram seus trabalhos em um blog. "A aula ficou mais interessante", diz Júlio César Alves Júnior, 13 anos, da terceira série do ensino fundamental. Tudo observado pelos mestres. O objetivo do Instituto Ayrton Senna é mostrar que, com esse método, o professor deixa de ser o único dono do saber. "É como um doutorado, onde o estudante corre atrás da informação sob a supervisão de um orientador", explica Adriana Martinelli, coordenadora do projeto. No Ciep Mestre Marçal, de Rio das Ostras (RJ) - que adotou o Sua Escola como política pública em 2004 -, a professora de geografia Adriana de Souza Lopes vê mudanças comportamentais. "Os alunos perderam a timidez e passaram a interagir mais", avalia. O melhor indicador, porém, é a taxa de aprovação dos estudantes ligados ao Sua Escola: 93,2% em 2006. A educação na rede
Com o Plano de Desenvolvimento da Educação, o governo quer investir R$ 650 milhões nas escolas públicas para acabar com a falta de computadores. Há quem critique o plano por valorizar demais a máquina.Especialistas negam: o professor continua sendo a base REDE PÚBLICA Em Araxá (MG), crianças e adolescentes fazem pesquisas pela internet e elaboram trabalhos orientados pelo professor Mesmo para as aulas de português a internet pode trazer benefícios. Muita gente reclama que a linguagem dos adolescentes em suas conversas na rede mundial de computadores está aniquilando o idioma - mania que, em geral, não avança para as redações escolares. Mas o computador pode ajudar, se o professor quiser. Foi essa a decisão de Anaídes Maria da Silva, do Colégio Humboldt, em São Paulo. Ela resolveu aproveitar uma viagem que a turma fez para Paranapiacaba (antiga vila localizada na Serra do Mar) e incentivou os alunos a criar um site para postar fotos e poesias com um olhar literário sobre a cidade. Em português correto, ressalte-se. É uma boa estratégia. Stefanie Panza, 17 anos, ganhou apoio da professora para registrar em um blog as mais de 100 poesias que já escreveu. "É um laboratório para um livro no futuro", conta a moça.
|
| Voltar |